Uma pequena homenagem à família Do Re Mi
No momento que Seu Francisco entrou pela capela, o mundo inteiro se calou. Ele andava, com toda sua humildade, segurando um pequeno buquê de flores alaranjadas. Manteve a cabeça baixa e focada no seu afazer, traço que ainda guardava dos tempos que servia em bufês. Na hora que puxou o véu para colocar as flores dentro do caixão de sua mulher era como se nada mais importasse a não ser o que acontecia ali. O silêncio, que já estava presente, se tornou ainda maior. A nora, que vigiava a sogra como uma leoa, não se moveu; nem a neta, que se mantinha aos pés da avó, e que segurava as lágrimas que teimavam em manchar o vestido amarelo; ou o filho, que havia organizado todo aquele velório arranjado da mãe. Nem mesmo a mosca que batia contra a janela teve coragem de macular aquele momento tão sagrado. Seu Francisco ajeitava as flores alaranjadas em meio a todas as brancas que cobriam Dona Gilda. Ela, serena, dormia — cansada da luta que acabara de travar e feliz por estar ao lado de toda f...